Dia do Pescador Olhão 2018 – Entre o Mar e Terra

Aliando as comemorações do Dia do Pescador ao feriado religioso do Corpo de Deus, os olhanenses celebraram a efeméride e evocaram o mar e a Ria Formosa.

As celebrações tiveram início no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com as distinções aos homens do mar, seguindo-se uma procissão por terra e também de barcos na Ria Formosa e a inauguração da exposição “Poluição no Mar”, no Museu Municipal de Olhão.

O Município de Olhão estará sempre ao lado dos homens do mar”, garantiu ontem o presidente da Câmara de Olhão, na cerimónia de abertura do Dia do Pescador, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O autarca queria, desta forma, afirmar que continua a lutar por melhores condições de vida dos pescadores de Olhão. “Foi assim ao assumirmos os arranjos das rampas de acesso ao porto de pesca, a necessitarem de melhorias há anos, o que demonstra claramente que estaremos sempre disponíveis, em articulação com a Docapesca, para encontrarmos as melhores soluções”, referiu António Miguel Pina.

António Miguel Pina, ladeado nesta cerimónia pelo presidente da Assembleia Municipal António Cabrita e pelo director regional da Agricultura e Pescas Fernando Severino, destacou ainda a acção determinante do Município nos processos de desassoreamento da Barra do Lavajo (que já teve início) e na Barra da Fuseta (que começa na próxima semana). Mas há mais a fazer, diz o autarca olhanense, que anunciou: “Iremos apresentar, numa parceria com o Ministério do Mar, uma proposta para termos uma draga estacionária todo o ano a desobstruir os canais interiores e as barras, pois para além da segurança dos pescadores, a circulação da água é determinante para o ecossistema da Ria Formosa”.

Quando se assinalaram os 20 anos da criação do Dia Nacional do Pescador, tantos quantos aqueles que a Autarquia olhanense tem dedicado a celebrar este dia, foi lançado o alerta: “Vamos salvar os cavalos-marinhos da Ria Formosa”. A campanha foi apresentada no início da cerimónia que distinguiu os homens do mar e permitiu-nos ficar a conhecer que a espécie, cuja maior comunidade a nível mundial reside na Ria Formosa, está ameaçada devido à captura ilegal que está a servir para abastecer o mercado asiático.

Se em 2002 existiam 2 milhões de cavalos-marinhos na Ria Formosa, em 2008 já só eram 300 mil.

Os pescadores, verdadeiros guardiões da Ria Formosa que poderão ajudar a combater este problema, tal como todos, foram homenageados pelo trabalho desenvolvido em 2017. Receberam também distinções o agente da Polícia Marítima Arlindo Moleiro (Prémio Carreira), o investigador do IPMA Pedro Pousão (Prémio Investigação na Pesca e Aquacultura) e a responsável pelo Gabinete de Apoio ao Empresário do Município de Olhão Rita Pestana (Prémio Mérito).

Eduarda Rosário, a funcionária com mais anos de serviço, 48, recebeu o Prémio Indústria Conserveira, Leonel Andrade destacou-se como o Pescador em Progressão e Joaquim Rodrigues foi o maquinista marítimo vencedor. Receberam igualmente distinções Tiago Martins (pescador mais novo), as embarcações Mestre António Lobo (Arrasto), Cidade de Setúbal e Rio Odiel (Cerco), Rumo ao Mar e Sousa (Polivalente Local), Arlete Maria e André Sousa (Polivalente Costeira) e Aragão e Rabilho (Armação). Na Aquacultura, foi distinguida a empresa Pinkatitude (Aquacultura e Moluscicultura), Carlos Tomé (Mariscador Apeado) e Jéssica Augusto (Mulher na Pesca).

Também houve prémios para o vencedor do concurso de fotografia “O Pescador”, João Lelo, e para a aluna do 11.ºH da Escola Secundária Francisco Fernandes Lopes, Inês Veludo, que criou aquele que foi considerado o melhor cartaz de divulgação do Dia do Pescador. Foram igualmente entregues prémios às escolas que apresentaram os melhores trabalhos alusivos à temática do mar (3.º classificado: Escola EB 2-3 Professor Paula Nogueira; 2.º classificado: Escola EB 2-3 Dr. Alberto Iria; 1.º classificado: Escola José Carlos da Maia).

Após as cerimónias oficiais no Salão Nobre do Município, a Procissão do Corpo de Deus, que pela primeira vez em Olhão fez-se também no mar, foi outro dos momentos alt01os do dia, com destaque para o encontro da procissão com as embarcações junto aos Mercados Municipais, seguindo-se o percurso por via marítima, com o Caíque Bom Sucesso a encabeçar a cerimónia religiosa. Se muitos olhanenses seguiram nos barcos, muitos outros ficaram em terra, contemplando o estandarte e restantes motivos religiosos ao largo da Ria Formosa.

De volta a terra, foi tempo de assistir à inauguração, no Museu Municipal, da exposição “Poluição no Mar”, a que se seguiu uma degustação de pescado das lotas nacionais, nomeadamente cavala e carapau, organizada em parceria com a Docapesca.

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