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500 mil euros em sal

Sotavento: Produtores juntaram-se e formaram cooperativa

A flor de sal é considerada uma especialidade gourmet, sendo extraída diariamente das salinas de dois ‘santuários’ ecológicos e protegidos da região algarvia: o Sapal de Castro Marim e o Parque Natural da Ria Formosa (Tavira e Olhão).

Em Castro Marim, uma dezena de pequenos produtores de sal marinho tradicional juntou-se e, em 1999, formou a Cooperativa Terras do Sal, que tem vindo a ganhar notoriedade.

“Temos uma produção anual de cerca de mil toneladas de sal tradicional e uma centena de flor de sal, facturando cerca de cem mil euros”, explica Jorge Moura, presidente da direcção da Cooperativa.
Num sector ainda à procura de crescimento, que deverá facturar anualmente cerca de meio milhão de euros, a indústria aposta forte na exportação.

“Setenta a oitenta por cento da produção é vendida para o estrangeiro (EUA e Alemanha, principalmente), e o resto em Portugal a retalho, a comerciantes”, refere Jorge Moura, que considera a falta de um armazém em Castro Marim, de maiores dimensões, como um dos grandes problemas da Cooperativa Terras do Sal.

“É pena também que o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (CNB), que tem jurisdição sobre o espaço físico onde se situam as salinas, nem sempre mostre disponibilidade para apoiar o sector, descurando, por vezes, as acessibilidades nas melhores condições “, queixa-se Jorge Moura, considerando que o negócio tem grande futuro.
Não falta mercado e, ainda no Inverno passado, surgiu a oportunidade de exportar sal para o Norte da Europa, para espalhar nas estradas. Escoámos o produto todo”, diz Jorge Moura.

Fernando Reis, proprietário da firma Pedaços de Mar Ldaª, que comercializa o produto Baesurisal, é um dos produtores de Castro Marim que não aderiram à Cooperativa Terras do Sal.

Produzo cerca de 200 toneladas de sal e 15 de flor de sal e também aposto forte na exportação”, refere Fernando Reis, que salienta, com orgulho, o facto de exportar flor de sal para um grande hipermercado do Dubai, no Médio Oriente e para uma grande cosmética do Reino Unido.

“Houve uma assinalável recuperação das salinas tradicionais em Castro Marim. Foi bom para a indústria, para os seus proprietários, mas também para a avifauna do Sapal, com as aves a terem mais alimento”, lembra Fernando Reis.

‘JARDINS’ DE FLOR DE SAL DECORAM RIA FORMOSA

São três os grandes produtores de sal na Ria Formosa: Rui Semião e Marisol, em Tavira, e Necton, em Olhão, cuja extracção torna o local num ‘jardim’ de sal.

Luís Salas, responsável pelo sector do sal da Necton, salienta a qualidade do seu produto, que considera “o melhor do Mundo”.

“Como o Algarve não tem indústrias pesadas, a poluição da Ria Formosa é praticamente nula, o que nos possibilita ter água de grande qualidade e extrair um produto puro”, refere.

Com instalações num santuário de biodiversidade, a Necton produz 2500 toneladas de sal marinho e cerca de 200 de flor de sal, apostando “no equilíbrio entre o aproveitamento económico de uma indústria e a conservação dos valores naturais, como as espécies sediadas na Ria Formosa”, diz Luís Salas, sensibilizado para o elevado valor ecológico da Ria. “As salinas têm grande valor ecológico, principalmente para as aves aquáticas, oferecendo–lhes alimentação e abrigo muito vantajosos”, diz.

DISCURSO DIRECTO
“PRIVILEGIAR A QUALIDADE DO PRODUTO”: Fernando Reis, Presidente da Tradisal
CM – Qual o grande objectivo da Tradisal?
Fernando Reis – A Associação de Produtores de Sal Marinho Tradicional do Sotavento Algarvio privilegia a qualidade do produto, que é alvo de duas certificações internacionais. Queremos ainda que a legislação, que é boa, seja aplicada.
– O sector está em fase de evolução?
– Temos registado um crescimento lento, numa conquista progressiva de mercado. O importante é que continuemos com seriedade, não vendendo gato por lebre.
– Há o perigo de a concorrência baixar o preço?
– Esse é outro dos grandes problemas. Numa indústria em que a produção é reduzida, baixar preços pode ser catastrófico para muitos dos pequenos proprietários das salinas.

 

Por:Teixeira Marques

In http://www.cmjornal.xl.pt

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